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Como chegar em Mendoza: voos, ônibus e travessia pelos Andes

Mendoza fica a 350 km de Santiago e 1.000 km de Buenos Aires. Voo direto de GRU custa R$ 1.800–R$ 3.500; ônibus desde Santiago sai por R$ 120–R$ 280 em 7–10h. Veja qual rota faz sentido para o seu roteiro e o que levar na fronteira.

Por SemDestino12 min de leitura

Breathtaking aerial view of the Andes Mountains in Mendoza, Argentina, featuring a winding road through a scenic valley.
Breathtaking aerial view of the Andes Mountains in Mendoza, Argentina, featuring a winding road through a scenic valley.

Mendoza fica encaixada no sopé dos Andes, a uns 1.000 km de Buenos Aires e pouco mais de 350 km de Santiago do Chile. Para quem sai do Brasil, voar direto de São Paulo costuma ser o caminho mais curto, mas tem gente que prefere combinar com o Chile e atravessar a cordilheira de ônibus ou carro. Cada rota tem seu preço, sua duração e suas armadilhas — vale entender antes de fechar a passagem. O voo direto desde Guarulhos resolve a viagem em menos de cinco horas, com tarifas entre R$ 1.800 e R$ 3.500 (preço observado em mai/2026). O ônibus desde Santiago, em compensação, custa entre R$ 120 e R$ 280 e cruza um dos trechos andinos mais dramáticos da América do Sul — quando a fronteira não está fechada pela neve, claro. Já o ônibus noturno desde Retiro, em Buenos Aires, leva de 13 a 16 horas e em alguns casos chega perto do preço de um voo doméstico argentino. Quem opta pelo carro alugado em Santiago precisa pedir uma autorização específica à locadora, que sai à parte e leva alguns dias para ficar pronta. A escolha entre essas rotas depende menos do orçamento e mais de como você pretende encaixar Mendoza no roteiro — e há uma janela do ano em que uma delas simplesmente sai da mesa.

Mendoza fica encaixada no sopé dos Andes, a uns 1.000 km de Buenos Aires e pouco mais de 350 km de Santiago do Chile. Para quem sai do Brasil, voar direto de São Paulo costuma ser o caminho mais curto, mas tem gente que prefere combinar com o Chile e atravessar a cordilheira de ônibus ou carro. Cada rota tem seu preço, sua duração e suas armadilhas — vale entender antes de fechar a passagem. Se você ainda está fechando o guia de custos da viagem, o transporte de chegada costuma ser o item que mais varia.

De avião: voos diretos e com conexão até Mendoza

O Aeroporto Internacional El Plumerillo (MDZ) tem apenas um terminal de passageiros — o que já diz bastante sobre o volume de voos internacionais que passa por lá. A oferta de diretos desde o Brasil é limitada e sazonal, e entender esse calendário faz diferença no bolso.

Saindo de Guarulhos (GRU), o voo direto a Mendoza dura entre 4h e 4h30. Esse trajeto existe, mas as frequências não são diárias o ano todo: em alguns períodos, você encontra diretos apenas algumas vezes por semana. Nas demais datas, a alternativa é uma conexão em Buenos Aires (EZE ou AEP) ou em Santiago (SCL), o que eleva o tempo total para algo entre 7h e 10h porta a porta — sem contar o risco de perder a conexão em Buenos Aires, onde a troca entre os dois aeroportos exige transporte terrestre e um bom intervalo.

Faixa de preço: R$ 1.800 a R$ 3.500 (ida e volta saindo de GRU, preço observado em mai/2026), variando conforme antecedência e se o trecho é direto ou com escala. Companhias que historicamente operam a rota incluem LATAM e Aerolíneas Argentinas; vale comparar as duas, porque a diferença em datas específicas pode passar de R$ 500.

Prós:

  • Voo direto desde GRU resolve a viagem em menos de 5 horas
  • Evita a travessia andina no inverno, quando a estrada pode fechar
  • Conexão em Buenos Aires pode virar um stopover intencional de um ou dois dias

Contras:

  • Preços sobem expressivamente entre março e maio, na alta da vindima
  • Poucas frequências diretas fora do pico
  • El Plumerillo tem opções reduzidas de locadoras; reserve com antecedência

Para quem sai do Rio, Curitiba ou Porto Alegre, a conexão em Buenos Aires costuma ser o caminho mais direto. Coloque alertas de preço com pelo menos 60 dias de antecedência se a sua janela de viagem cai entre março e maio.

De ônibus: de Santiago e de Buenos Aires

Se o voo parece caro demais, o ônibus leva mais tempo mas custa uma fração — e em alguns trechos vira parte da experiência. Mendoza tem dois grandes corredores terrestres: o que vem de Santiago cruzando os Andes e o que vem de Buenos Aires cortando o pampa pela RN7. São viagens bem diferentes em distância, paisagem e tipo de conforto.

De Santiago do Chile

A travessia desde os terminais Alameda ou San Borja em Santiago leva entre 7 e 10 horas até a rodoviária de Mendoza, dependendo da fila na imigração do Paso Los Libertadores. Os preços ficam entre R$ 120 e R$ 280 (estimativa baseada em médias regionais, mai/2025), com saídas ao longo do dia. A paisagem na subida é uma das mais dramáticas da América do Sul: granito cinza, neve ao longe e o rio Aconcagua lá embaixo.

Prós: preço baixo, travessia cênica pelos Andes, ótima opção para quem combina a viagem com Santiago. Contras: a fronteira pode fechar entre junho e setembro por neve; a espera na imigração é imprevisível, com dias em que o ônibus fica parado por horas; o trecho final de curvas pesa para quem enjoa.

De Buenos Aires (Retiro)

São entre 13 e 16 horas de viagem, com preços entre R$ 180 e R$ 450. Os ônibus executivos argentinos têm leitos que reclinam quase completamente — os chamados cama-suíte —, o que transforma a noite numa hospedagem improvisada. Saídas noturnas são comuns: você aproveita Buenos Aires durante o dia e acorda em Mendoza.

Prós: leitos cama-suíte de padrão alto, rota estável o ano todo, economia de uma noite de hotel no noturno. Contras: trajeto longo, boa parte pelo pampa monótono, e o preço do leito premium se aproxima do voo doméstico argentino em alguns períodos.

De carro: a travessia da Cordilheira dos Andes

A Ruta 7 entre Santiago e Mendoza é um dos trechos de estrada mais impressionantes da América do Sul — não pela velocidade, mas pela escala. Você passa por Uspallata, vê o Aconcagua ao fundo com 6.962 metros e ainda pode parar em Puente del Inca, uma formação rochosa natural que a maioria dos ônibus deixa passar sem avisar. O trajeto completo leva entre 6 e 9 horas dependendo da fila na fronteira.

De carro, você ganha uma flexibilidade que o avião não oferece: parar onde quiser, dosar o ritmo da subida e seguir direto da fronteira para as vinícolas do Valle de Uco no mesmo dia. Em compensação, exige preparo.

Na prática, isso significa: se você vai alugar carro no Chile, a locadora precisa emitir uma autorização de saída do país para cruzar a fronteira. Esse documento custa à parte — geralmente entre US$ 60 e US$ 120, dependendo da locadora e do tipo de carro — e leva alguns dias para ser preparado, então não dá para resolver na hora da retirada. Sem essa autorização, a fronteira não libera o veículo. Confirme antes de fechar a reserva.

Vale destacar também o trajeto desde Buenos Aires pela RN7: são cerca de 1.050 km em estrada plana, com pedágios espaçados e postos de combustível razoáveis. A viagem dura entre 11 e 14 horas dirigindo direto, o que praticamente exige uma parada para dormir em San Luis ou Río Cuarto.

Condições no inverno: entre julho e agosto, o Paso Los Libertadores fecha com alguma frequência por nevascas. Mesmo aberto, exige uso de correntes nos pneus em dias específicos, e a fiscalização chilena costuma checar. Se a sua viagem cai nesse período, considere o avião como plano principal e o carro só como possibilidade.

Custos a somar: combustível, pedágios na RN7, seguro com cobertura internacional (a locadora normalmente exige), eventuais correntes para neve e a tal autorização de fronteira. A conta sobe rápido — para uma pessoa só, raramente compensa frente ao ônibus ou ao voo.

Stunning view of Puente del Inca, a natural rock formation and landmark in Mendoza, Argentina.
Puente del Inca é uma das paradas possíveis para quem cruza os Andes de carro pela Ruta 7.Foto: Lilian Sandoval / Pexels

Documentação para entrar na Argentina

O contexto aqui é simples: brasileiros não precisam de passaporte para entrar na Argentina. O RG vale, desde que esteja em bom estado de conservação e tenha sido emitido há menos de 10 anos. Isso vale tanto para a chegada por via aérea quanto para a fronteira terrestre.

Em termos concretos, o que costuma dar problema na imigração é o RG plastificado, rasgado ou com a foto antiga demais. Se o seu documento tem mais de uma década, vale tirar uma segunda via antes de viajar — ou levar o passaporte como reserva, mesmo que não seja exigido.

Menores de idade: se você viaja com filho menor de 18 anos sem o outro responsável, é necessária autorização de viagem com firma reconhecida em cartório. A regra vale mesmo quando a criança viaja com os dois pais e o documento original do casamento não comprova a filiação. A fronteira terrestre é especialmente rigorosa nesse ponto.

Seguro viagem: não é obrigatório para brasileiros entrando na Argentina, mas é fortemente recomendável. O sistema público argentino atende estrangeiros, porém uma consulta particular ou um pronto-socorro privado pode sair caro — e em Mendoza, com a altitude e atividades como trekking ou cicloturismo nas vinícolas, o risco de pequenos acidentes existe. Apólices com cobertura mínima de USD 30.000 costumam custar entre R$ 15 e R$ 30 por dia.

Vacinas: não há exigência específica para entrada na Argentina vinda do Brasil. A febre amarela é recomendada apenas para quem segue de Mendoza para o norte do país, na região de Misiones ou Salta.

Comparativo: qual o melhor meio de transporte para Mendoza

Vamos por partes. Cada modo serve a um perfil de viagem — e o que parece a opção óbvia muitas vezes não é.

| Meio | Origem | Duração | Faixa de preço | Melhor para | |---|---|---|---|---| | Avião direto | São Paulo (GRU) | 4h–4h30 | R$ 1.800–R$ 3.500 | Quem tem pouco tempo | | Avião com escala | Brasil → BUE/SCL → MDZ | 7h–10h | R$ 1.800–R$ 3.000 | Quem combina com Buenos Aires | | Ônibus desde Santiago | Santiago do Chile | 7h–10h | R$ 120–R$ 280 | Quem já está no Chile | | Ônibus desde Buenos Aires | Retiro (BUE) | 13h–16h | R$ 180–R$ 450 | Quem quer economizar e curte estrada | | Carro pela Ruta 7 | Santiago do Chile | 6h–9h | varia (aluguel + combustível + autorização) | Quem quer parar no caminho |

Para quem tem pouco tempo: voo direto de GRU. Sem discussão — qualquer alternativa terrestre consome ao menos um dia inteiro de viagem.

Para quem quer economizar: ônibus desde Santiago, se combinar a viagem com o Chile. O custo é uma fração do voo e a paisagem dos Andes compensa as horas extras.

Para quem combina com Chile: ônibus ou carro pela Ruta 7. O trajeto é parte da viagem, não um sacrifício para chegar.

Para quem combina com Buenos Aires: ônibus noturno desde Retiro economiza uma noite de hotel e chega descansado pela manhã. Compare com o voo doméstico argentino — em algumas datas, a diferença é pequena.

Para grupos ou famílias: carro alugado distribui o custo e libera a logística no destino, especialmente para visitar vinícolas afastadas do centro. Se você já está pensando no itinerário sugerido, a flexibilidade do carro pesa.

Explore the stunning Andes Mountains with clear blue skies in Uspallata, Mendoza, Argentina.
O vale de Uspallata, na Ruta 7, é parte do percurso para quem opta pela travessia andina de ônibus ou carro.Foto: Andres Alaniz / Pexels

Do aeroporto El Plumerillo ao centro de Mendoza

O Aeroporto El Plumerillo (MDZ) fica a cerca de 11 km do centro — distância curta no mapa, mas que pode levar entre 20 e 40 minutos dependendo do trânsito na Avenida Acceso Este, especialmente no fim da tarde. O terminal de desembarque é pequeno, então a saída para a área de táxis é rápida.

Táxi e aplicativos: do lado de fora do terminal, há táxis credenciados com preço tabelado pelo aeroporto. A corrida até o centro sai entre ARS 8.000 e ARS 14.000 (aproximadamente R$ 45 a R$ 80, estimativa baseada em médias regionais e câmbio de mai/2026). O Uber opera em Mendoza, mas a cobertura no aeroporto costuma ser irregular — o aplicativo pode demorar para encontrar motorista ou simplesmente não ter disponibilidade no horário do seu voo. Se depender do app, tenha um plano B.

Transfer privado: algumas pousadas e hotéis oferecem transfer do aeroporto, vale perguntar na reserva. Também há serviços contratáveis com antecedência; o preço fica próximo ao do táxi tabelado para uma pessoa, mas compensa para grupos de 3 ou 4 dividindo o custo.

Ônibus urbano: existe linha de ônibus que conecta o aeroporto ao centro, com tarifa em torno de ARS 500 a ARS 800 por pessoa (menos de R$ 5, estimativa baseada em médias regionais). O trajeto pode levar entre 40 e 60 minutos com paradas, e o pagamento é feito com cartão SUBE ou em moeda local. Se você chega com bagagem pesada e sem pesos na carteira, a logística complica.

Quem chega de ônibus, em vez de avião, desembarca na Terminal del Sol, a uns 15 minutos a pé do centro — ou poucos minutos de táxi por menos de ARS 3.000. Para continuar planejando a estadia, vale dar uma olhada no guia geral da cidade e em outros destinos pela Argentina que combinam bem com Mendoza num mesmo roteiro.

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de passaporte para entrar em Mendoza?

Não. O RG em bom estado e emitido há menos de 10 anos é aceito para entrar na Argentina, inclusive na fronteira terrestre. Se o documento está rasgado, plastificado ou com mais de uma década, vale tirar segunda via antes de viajar ou levar o passaporte como reserva.

Quanto tempo dura o voo direto de São Paulo para Mendoza?

O voo direto desde Guarulhos dura entre 4h e 4h30. Com conexão em Buenos Aires ou Santiago, o tempo total sobe para 7h a 10h porta a porta — sem contar a troca entre os dois aeroportos de Buenos Aires, que exige transporte terrestre.

Compensa ir a Mendoza saindo do Chile?

Sim, se você já está em Santiago. A travessia de ônibus custa entre R$ 120 e R$ 280 e leva de 7 a 10 horas, dependendo da fila na imigração do Paso Los Libertadores. A paisagem pela Cordilheira dos Andes é um dos pontos altos do trajeto.

A estrada entre Santiago e Mendoza fecha no inverno?

Pode fechar parcialmente entre junho e setembro por nevascas no Paso Los Libertadores, às vezes sem muito aviso. Vale conferir o status da passagem no site da Dirección Nacional de Vialidad (Argentina) ou do MOP (Chile) na manhã do embarque.

Dá para alugar carro no Chile e cruzar para Mendoza?

Dá, mas a locadora precisa emitir uma autorização de saída do país, que custa à parte — geralmente entre US$ 60 e US$ 120 — e leva alguns dias para ficar pronta. Sem esse documento, a fronteira não libera o veículo, então confirme antes de fechar a reserva.

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